domingo, 19 de janeiro de 2014

the day i fell in love with Paris

Paris, 1976
by Ruy Bacelar
há já bastante tempo que tenho muita vontade de escrever sobre Paris. no entanto, sempre que me ocorre a ideia de o fazer, sinto um aperto no estômago e, rapidamente, arranjo uma razão para não o fazer. Paris, para mim, é pura emoção. passar "pura emoção" para a escrita ainda me é muito difícil. tenho receio de trair o que sinto. tenho receio de trair a cidade. de não saber escolher as palavras. daí ser um tema eternamente evitado e adiado. já comecei vários textos. nunca acabei nem guardei nenhum. a minha relação com esta cidade começou era eu ainda muito criança. ouvia a minha mãe, que nunca lá tinha ido, falar das viagens que o seu pai, o meu avô Zeca, fazia regularmente a Paris. o fascínio do meu avô e da minha mãe, acabou por me contagiar. e, porque havia muita literatura francesa em casa dos meus pais e porque sempre gostei de ler, fui conhecendo Paris através dos escritores que tanto a amaram. a música também ajudou. sempre fez parte da minha vida. começou também em casa dos meus pais a ouvir Brassens, Aznavour, Reggiani. cantores que visivelmente emocionavam a minha mãe e cuja música, aguçava a minha curiosidade pelos encantos desta cidade. a juntar a tudo isto, o meu amor adolescente por Jim Morrisson, que escolheu morrer em Paris, fez com que a curiosidade se fosse transformando em projecto. e, num dia de Verão em 1976, apanhei o Sud-Express no Porto e, cerca de dois dias depois, desembarcava na Gare de S. Lazare. tinha 15 anos e a vida toda à minha frente. estes dois factores fizeram toda a diferença na relação de amor que passei a ter com aquela cidade. there will always be Paris.
j


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