"The world used to be silent. Now it has too many voices and the noise is a constant distraction. They multiply, intensify. They will divert your attention to what’s convenient and forget to tell you about yourself. We live in an age of many stimulations. If you are focused you are harder to reach. If you are distracted you are available. You want flattery. Always looking to where it’s at. You want to take part in everything and everything to be a part of you. Your head is spinning fast at the end of your spine, until you have no face at all. And yet if the world would shut up, even for a while, perhaps we would start hearing the distant rhythm of an angry young tune, and recompose ourselves. Perhaps, having deconstructed everything, we should be thinking about putting everything back together. Silence yourself.""
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
vacuidade...
agarrei-me a ti. abracei-te com força. ouvi-te cantar-me ao ouvido, como naquela noite. vi os teus olhos a brilhar de tanto me amares. como daquela vez em que me disseste "entrega-te, deixa-te ir, não tenhas medo, eu protejo-te". atirei-te contra a parede mas voltei a agarrar-te. quis levar-te comigo para casa. com os punhos cerrados, esmaguei-te contra o chão. voltei a agarrar-te
não fui eu que te escolhi. foste-me dado para a mão. podiam-me ter dado uma folha de papel, um cobertor azul ou até um lenço colorido. mas não. deram-me um lençol amarelo e eu dei-lhe a forma que quis. dei-lhe a tua forma.
à minha frente, dobraram o lençol, dobraram os cobertores azuis e arrumaram tudo.
assim. tão simples como isso.
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sábado, 9 de novembro de 2013
"a casa das tias"
A "Petiti"
A Avó Toina
aquela era uma casa especial. o lugar para onde eu fugia.
partia de Braga e saía no Porto, na Praça da República.
por essa altura, ao descer a Rua da Boavista, já o passo era apressado e o coração batia mais forte.
a casa tinha campainha mas eu gostava do batente. trás!trás!trás! três vezes. sempre.
elas conheciam bem o meu bater...
uma espécie de quadrado rendilhado, pequeno quadrado, sobrepunha-se a um vidro que só era fechado à noite.
enquanto esperava que abrissem (às vezes parecia uma eternidade), espreitava, esperando ansiosamente ouvir aquelas vozes tão familiares que diziam sempre que eu ali era amada. por aquele quadrado rendilhado saíam cheiros únicos daquela casa da Boavista. a casa das tias cheirava a coisas antigas, a roupa lavada no tanque e à sopa da avó Toina. Tudo me vinha daquele quadrado rendilhado com um vidro que só se fechava à noite.
"olá joaninha, olá minha netinha, olá bolotinha... abraços e beijos repenicados que só elas me sabiam dar.
era uma casa cheia, aquela. três tias avós, um tio avô, uma avó, um trisavô e uma uma bisavó A tia Adozinda, tia preferida, a quem chamávamos Petiti, a tia Idalina, a tia Adelina e a avó Toina ocupavam a casa. A bisavó Bela vivia na memória e dentro dos armários e das gavetas. transfigurada em casacos de veludo cristal, vestidos lindos do princípio do século e camisas de dormir com monograma. o tio avô, "Tio Major" Alfredo vivia nas história de viagem contadas pelas irmãs e na vitrine, nos objectos que tinha trazido das viagens ao oriente. Com ele veio o Majong e aqueles papeis pousados na janela da casa de banho que, quando queimados, purificavam o ar.
o jardim era azul ,verde e amarelo, carregado de hidranjas e de limões.
embalada pelas histórias que eu pedia que me contassem ou pelas peças tocadas ao piano pela Petiti, o tempo passava devagar na casa das tias.
quando a noite caía e a vela que nunca era apagada fazia desenhos pelas paredes da sala, esperava-me uma cama quentinha e a camisa de dormir, com monograma, embrulhada numa botija de cobre.
ali eu era feliz...
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