agarrei-me a ti. abracei-te com força. ouvi-te cantar-me ao ouvido, como naquela noite. vi os teus olhos a brilhar de tanto me amares. como daquela vez em que me disseste "entrega-te, deixa-te ir, não tenhas medo, eu protejo-te". atirei-te contra a parede mas voltei a agarrar-te. quis levar-te comigo para casa. com os punhos cerrados, esmaguei-te contra o chão. voltei a agarrar-te
não fui eu que te escolhi. foste-me dado para a mão. podiam-me ter dado uma folha de papel, um cobertor azul ou até um lenço colorido. mas não. deram-me um lençol amarelo e eu dei-lhe a forma que quis. dei-lhe a tua forma.
à minha frente, dobraram o lençol, dobraram os cobertores azuis e arrumaram tudo.
assim. tão simples como isso.
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