terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Wonderful things will happen in 2014...



ladies and gentlemen, we are floating in space... 

"dear friends, known and unknown to me, my dear compatriots and all people of the world. in the next few minutes a mighty spaceship will carry me off into the distant spaces of the universe. what can i say to you during these last minutes before the start? all my life now appears as a single beautiful moment to me. All i have done and lived for has been done and lived for for this moment..."

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Silent Night...


o Natal foi sempre uma festa muito especial em casa dos meus pais. para nós crianças, começava no dia 1 de Dezembro, dia em que abríamos a primeira janela do calendário do advento. cada um tinha o seu. 
o primeiro Natal que recordo foi passado na Inglaterra, em Exeter. tinha seis anos e acreditava no Pai Natal com toda a força que tem o coração de uma criança desta idade. 
assim que começava Dezembro, começavam os preparativos e a excitação. o bacalhau chegava de Portugal mandado pela avó Toina. com ele vinham os ladrilhos de marmelada e outras coisas boas. a avó Noémia mandava as golas em crochet para aplicarmos no vestido de Natal.
a rua onde eu morava era uma daquelas ruas típicas de tantas cidades inglesas. uma rua comprida com casas toda iguais. só variava a cor das aplicações em madeira nas fachadas da casa. a minha era cor de laranja e ostentava o número 129. 
havia uma lareira em cada divisão da casa e uma arrecadação cá fora onde se guardava o carvão. e era sentados à lareira que preparávamos a chegada do Pai Natal. como? cantando-lhe as belíssimas canções de Natal que nos ensinavam na escola, para que  as nossas vozes chegassem rapidamente ao Polo Norte. tínhamos que cantar porque senão ele podia não vir. e cantávamos com todo o coração. 
eu amava profundamente a personagem do pai Natal. um velhinho fofinho, bondoso e gordinho que tinha tanto para dar a nós crianças. todos os anos lhe escrevia uma carta e todos os anos recebia resposta. 
nevava sempre no Natal. tinha que nevar. lembro-me de um ano em que chegamos ao dia 24 e ainda não havia neve. a certa altura, quem passasse à porta de nossa casa, podia ver quatro crianças, de olhar apreensivo, a espreitar pela janela, ansiando que a todo momento começassem a cair os primeiros flocos. o fim do dia trouxe muito frio. e, pouco antes de nos sentarmos para jantar, começaram a cair os primeiros flocos de neve. 
ao cair da noite, vinha o carteiro trazer as últimas cartas. entrava um bocadinho para se aquecer do frio da rua e era convidado a beber um copo de vinho e a provar uma rabanada. 
enquanto a minha mãe preparava o jantar, saíamos com o meu pai para ver se era já possível avistar as renas ou ouvir as campainhas. e, de volta a casa, encontrávamos chocolates em cima da mesa que a minha mãe dizia, não saber como lá tinham ido parar. o Pai Natal fazia destas coisas. 
por vivermos num país que não era o nosso, éramos apenas os seis à volta da mesa. mas tudo era preparado como se de um grande banquete se tratasse. vestíamo-nos a rigor. vestidos novos para as duas meninas, com as golas de renda da avó Noémia, feitos especialmente para esta ocasião. os rapazes de calções, camisa e daquelas gravatas presas com elástico. 
no dia 24 à noite sempre foi tradição oferecermos uns aos outros prendas feitas por nós. depois de abertas as prendas, eu já só ansiava por ir dormir. 
todos os anos, na mesinha de cabeceira, deixava um copo de água e um petisco para o Pai Natal. é que ele vinha cansado e com fome. e depois de reconfortar a barriga e de se sentar um pouco naquela cadeira de baloiço que havia no meu quarto, não se ia embora sem antes me dar um beijo. apesar de, àquela hora, estar a dormir profundamente, nunca deixei de sentir o nariz gelado daquele velhinho de barbas brancas a tocar-me na face.
Merry Christmas!
j

Hey, Charlie...


Hey, Charlie, i'm pregnant
and living on 9-th street,
right above a dirty bookstore
off Cuclid Avenue.
and i stopped taking dope,
and i quit drinking whiskey,
and my old man plays the trombone
and works out at the track.
and he says that he loves me
even though its not his baby.
and he says that he'll raise him up
like he would his own son.
and he gave me a ring
that was worn by his mother.
and he takes me out dancin
every saturday night.
and hey, Charlie, i think about you
everytime i pass a fillin' station,
on account of all the grease
you used to wear in your hair.
and i still have that record
of Little Anthony & The Imperials,
but someone stole my record player,
how do you like that?
hey Charlie, i almost went crazy
after Mario got busted,
so i went back to Omaha to
live with my folks.
but everyone i used to know
was either dead or in prison.
so i came back in Minneapolis.
this time i think i'm gonna stay.
hey Charlie, i think i'm happy
for the first time since my accident
and i wish i had all the money
that we used to spend on dope.
i'd buy me a used car lot
and i wouldn't sell any of them,
i'd just drive a different car
every day dependin on how i feel.
hey Charley, for chrissakes
do you want to know the truth of it?
i don't have a husband,
he don't play the trombone.
and i need to borrow money
to pay this lawyer.
and Charlie, hey,
i'll be eligible for parole 
come Valentine’s Day."

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

i just ride...


"i was in the winter of my life and the men i met along the road were my only summer. at night i fell asleep with the vision of myself dancing and laughing and crying with them. three years down the line of being on an endless world tour and memories of them were the only things that sustained me, and my only real happy times. i was a singer, not very popular one, who once had dreams of becoming a beautiful poet- but upon an unfortunate series of events saw those dreams dashed and divided like million stars in the night sky that i wished on over and over again- sparkling and broken. but i really didn’t mind because i knew that it takes getting everything you ever wanted and then losing it to know what true freedom is.
when the people i used to know found out what i had been doing, how i had been living they asked me why. but there’s no use in talking to people who have a home, they have no idea what it's like to seek safety in other people, for home to be wherever you lay your head.
i was always an unusual girl. my mother told me that i had a chameleon soul. no moral compass pointing me due north, no fixed personality. just an inner indecisiviness that was as wide, as wavering as the ocean. and if i said that i didn’t plan for it to turn out this way i’d be lying because i was born to be the other woman. i belonged to no one- who belonged to everyone, who had nothing- who wanted everything with a fire for every experience and an obssesion for freedom that terrified me to the point that i couldn’t even talk about- and pushed me to a nomadic point of madness that both dazzled and dizzied me.
every night i used to pray that i’d find my people and finally i did, on the open road. we have nothing to lose, nothing to gain, nothing we desire anymore except to make our lives into a work of art.
live fast. die young. be wild and have fun.
i belive in the person i want to become, i believe in the freedom of the open road. and my motto is the same as ever. i believe in the kindness of strangers and when i’m at war with myself, i ride. i just ride.
who are you? are you in touch with all your darkest fantasies?
have you created a life for yourself where you’re free to experience them?
i have.
i am fucking crazy but i am free..."


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

"Attaboy! That's the way to hit a home run!"


saí da sessão de Shiatsu literalmente nas nuvens. o que ali se passou hoje, e usualmente se passa, dificilmente se pode pôr em palavras. foi assim que hoje cheguei ao colégio para buscar o Tomás. 
um pouco tarde, e porque a coisas mais "terrenas" (como cozinhar), não me estavam a fazer grande sentido, sugeri um jantar "ready made". amanhã o Tomás tem teste de história e a conversa começou porque lhe perguntei se se sentia preparado. naquela meia-hora de "colégio-mc.donalds-casa", ouvi sair da boca dele palavras como, Revolução Russa, Lenine, Marx, Trotsky, Staline, Comité Central, democracia, ditadura do proletariado, ditadura de estado, gulag, domingo sangrento... mas não foram só palavras decoradas do livro de história. foi muito mais que isso. enquanto o ouvia e observava, vi-me com a mesma idade. a mesma sede de conhecimento, entusiasmo e necessidade de tudo querer entender. falamos de poder e de revolução. falei-lhe dos panfletos trocados à noite para serem deixados pelo chão do liceu, dos cartazes que afixávamos para logo a seguir serem retirados pela direcção, das RGAs. 
e veio a música. uma paixão partilhada pelos dois. Red Army Blues dos Waterboys. a revolução vista por alguém que, de facto, acreditou nela. chegamos a casa e ouvimo-la juntos. 
naquela meia-hora mágica, o Tomás e eu, encontrámo-nos num lugar onde não há barreiras, onde tudo flui, onde somos iguais na diferença. onde aquilo que nos une é tão maior. um lugar que eu descobri, estar nas minhas mãos, poder lá voltar sempre que quiser. wonderful things are happening in 2013...
j

domingo, 8 de dezembro de 2013

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Deconstruct!


"The world used to be silent. Now it has too many voices and the noise is a constant distraction. They multiply, intensify. They will divert your attention to what’s convenient and forget to tell you about yourself. We live in an age of many stimulations. If you are focused you are harder to reach. If you are distracted you are available. You want flattery. Always looking to where it’s at. You want to take part in everything and everything to be a part of you. Your head is spinning fast at the end of your spine, until you have no face at all. And yet if the world would shut up, even for a while, perhaps we would start hearing the distant rhythm of an angry young tune, and recompose ourselves. Perhaps, having deconstructed everything, we should be thinking about putting everything back together. Silence yourself.""

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

vacuidade...




agarrei-me a ti. abracei-te com força. ouvi-te cantar-me ao ouvido, como naquela noite. vi os teus olhos a brilhar de tanto me amares. como daquela vez em que me disseste "entrega-te, deixa-te ir, não tenhas medo, eu protejo-te". atirei-te contra a parede mas voltei a agarrar-te. quis levar-te comigo para casa. com os punhos cerrados, esmaguei-te contra o chão. voltei a agarrar-te
não fui eu que te escolhi. foste-me dado para a mão. podiam-me ter dado uma folha de papel, um cobertor azul ou até um lenço colorido. mas não. deram-me um lençol amarelo e eu dei-lhe a forma que quis. dei-lhe a tua forma. 
à minha frente, dobraram o lençol, dobraram os cobertores azuis e arrumaram tudo. 
assim. tão simples como isso.
j

sábado, 9 de novembro de 2013

"a casa das tias"

                                                                       A "Petiti"
                                                               
                                                                     A Avó Toina

aquela era uma casa especial. o lugar para onde eu fugia.
partia de Braga e saía no Porto, na Praça da República.
por essa altura, ao descer a Rua da Boavista, já o passo era apressado e o coração batia mais forte.
a casa tinha campainha mas eu gostava do batente. trás!trás!trás! três vezes. sempre.
elas conheciam bem o meu bater...
uma espécie de quadrado rendilhado, pequeno quadrado, sobrepunha-se a um vidro que só era fechado à noite.
enquanto esperava que abrissem (às vezes parecia uma eternidade), espreitava, esperando ansiosamente ouvir aquelas vozes tão familiares que diziam sempre que eu ali era amada. por aquele quadrado rendilhado saíam cheiros únicos daquela casa da Boavista. a casa das tias cheirava a coisas antigas, a roupa lavada no tanque e à sopa da avó Toina. Tudo me vinha daquele quadrado rendilhado com um vidro que só se fechava à noite.
"olá joaninha, olá minha netinha, olá bolotinha... abraços e beijos repenicados que só elas me sabiam dar.
era uma casa cheia, aquela. três tias avós, um tio avô, uma avó, um trisavô e uma uma bisavó A tia Adozinda, tia preferida, a quem chamávamos Petiti, a tia Idalina, a tia Adelina e a avó Toina ocupavam a casa. A bisavó Bela vivia na memória e dentro dos armários e das gavetas. transfigurada em casacos de veludo cristal, vestidos lindos do princípio do século e camisas de dormir com monograma. o tio avô, "Tio Major" Alfredo vivia  nas história de viagem contadas pelas irmãs e na vitrine, nos objectos que tinha trazido das viagens ao oriente. Com ele veio o Majong e aqueles papeis pousados na janela da casa de banho que, quando queimados, purificavam o ar.
o jardim era azul ,verde e amarelo, carregado de hidranjas e de limões.
embalada pelas histórias que eu pedia que me contassem ou pelas peças tocadas ao piano pela Petiti, o tempo passava devagar na casa das tias.
quando a noite caía e a vela que nunca era apagada fazia desenhos pelas paredes da sala, esperava-me uma cama quentinha e a camisa de dormir, com monograma, embrulhada numa botija de cobre.
ali eu era feliz...
j

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

"Long live the beauty that comes down and through and onto all of us...


Breathtaking...



A fountain of love

The beginning of a touch 
Safe in the eye of a storm
As your mind leaves the house



Morning is breaking up
Your body’s stirred
And your house is burning up



Candy tongue



The funny things you want
Is never never gonna be enough
Hunting on a blood buzz



Candy tongue, dandy tongue
I believe it’s coming on
Oh Clarice, oh Clarice
Tell tail of epiphany
Candy tongue



Spirit of one animal
Stronger than me, candy tongue
For better or worse you’re falling off
Skyscrapers high your line



Candy tongue, dandy tongue
I believe it’s coming on
Oh Clarice, oh Clarice
Tell tail of epiphany



Candy tongue, candy tongue
Turn the pages and be done
Be with me, be with me
Trick the tricks of memory



Be with me, be with me
Trick the tricks of memory



Candy tongue
Candy tongue
Candy tongue
Candy tongue

terça-feira, 29 de outubro de 2013

True love will find you in the end...


"and if i have to go, will you remember me?
will you find someone else, while i'm away?
there´s nothing for me, in this world full of strangers
it's all someone else's idea
i don't belong here, and you can't go with me
you'll only slow me down

until i send for you, don't wear your hair that way
if you cannot be true, i'll understand
tell the others you'll hold in your arms
that i said that i'd come back for you
i'll leave my jacket to keep you warm
that's all i can do

and if i have to go, will you remember me?
will you find someone else, while i'm away?"
Tom Waits


domingo, 27 de outubro de 2013

Lou Reed - 2 de Março de 1942 - 27 de Outubro de 2013




  
devia ter 13 ou 14 anos. íamos em bando ouvir música para a cave do Paulo Afonso (a.k.a. Paulo Bomba). ele gostava de Frank Zappa e de Lou Reed. eu não gostava assim muito de Zappa. o Paulo tinha certamente muitos discos (vinis) mas eu só me lembro dos do Lou Reed.
naquelas tardes quentes de Verão, a cave cheia de gente, cheia de fumo no ar e cheia de música.
este disco enchia a alma. 
e quando Lou começava a cantar Coney Island Baby, era para mim que ele cantava...

"...when you're all alone and lonely in you midnight hour
and you find that your soul, it's been up to sale
And you getting to think about, all the things that you've done
And you get to hate just about everything
But remember the princess who lived on the hill
Who loved you even though she knew you was wrong
And right now she just might come shining through
and the glory of love, glory of love
Glory of love just might come through..."
j

Ítaca


(fotografia: Praia de Ofir, Verão 2013)

"Quando começares a tua viagem para Ítaca,
reza para que o caminho seja longo,
cheio se aventura e de conhecimento.
Não temas monstros como os Cíclopes ou o zangado Poseidon:
nunca os encontrarás no teu caminho
enquanto mantiveres o teu espírito elevado,
enquanto uma rara excitação agitar o teu espírito e o teu corpo.
Nunca encontrarás os Cíclopes ou outros monstros
a não ser que os tragas contigo dentro da tua alma,
a não ser que a tua alma os crie em frente a ti.

Desde que o caminho seja bem longo
para que haja muitas manhãs de Verão em que,
com quanto prazer, com tanta alegria,
entres em portos que vês pela primeira vez.
para que possas parara em postos de comércio fenícios
para comprares coisas finas, madrepérola, coral e âmbar,
e perfumes sensuais de todos os tipos -
tantos quantos puderes encontrar;
e para que possas visitar muitas cidades egípcias
e aprender e continuar sempre a aprender com os seus escolares.

Tem sempre Ítaca na tua mente.
Chegar é o teu destino.
Mas não te apresses absolutamente nada na tua viagem.
Será melhor que ela dure muitos anos
para que sejas velho quando chegares à ilha,
rico com tudo que encontraste no caminho, 
sem esperares que Ítaca te traga riquezas.

Ítaca deu-te a tua bela viagem.
Sem ela não terias sequer partido.
Não tem mais nada a dar-te.

E, sábio como te terás tornado,
tão cheio de sabedoria e experiência,
já terás percebido, à chegada, o que significa uma Ítaca."
C.P. Cavafy
(tradução de Jorge de Sena)

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

autumn bliss


adoro a palavra "autumn". lembra-me cores bonitas e cheiros. durante muitos anos, porque implicava o fim do verão, a bela sonoridade da palavra, em nada era por mim associada àquilo que significava. 
faço, há alguns anos, cerca de 80 kms por dia para ir e vir do trabalho. por causa dessas viagens, habituei-me a escolher, com algum cuidado, a música que tenho comigo no carro. e, ao som de muita música, viajo a pensar naquilo que tenho que fazer para o jantar, viajo a pensar naqueles que amo... já fiz esta viagem a chorar, já me ri às gargalhadas, já cantei muito alto, já a fiz sem dar por ela...
até há pouco tempo atrás, ia sempre pela autoestrada. até há pouco tempo atrás, o carro que eu tinha era muito rápido e muito seguro e, apesar da música, dos humores e dos pensamentos, o que eu queria era chegar.
porque a vida está sempre a trocar-nos as voltas, troquei o carro veloz e seguro por um mais económico e troquei a autoestrada pela estrada nacional. veio setembro. mudou a paisagem e a velocidade. descobri um novo caminho para a escola. Menos 10 kms, mais económico e...muito mais bonito!
todos os dias sinto na paisagem o outono a chegar. de manhã cedo, com o sol ainda meio tímido, porque é de manhã, concentro-me no dia que está pela frente e nas coisas que quero fazer na escola. tudo isto ao som da radio comercial que, não sendo de modo algum pela qualidade da música (é sempre a mesma e, na minha opinião, de pouca qualidade), é boa companhia porque me rio com aquela equipa de gente que me é já familiar. 
mas o que eu gosto mesmo é da viagem de regresso. não só porque implica o regresso a casa e o acalmar do stress (este ano lectivo está a ser mais complicado porque a escola entrou em obras) mas acima de tudo, porque adoro fazer a viagem.
as cores que me acompanham ao longo da estrada, porque o sol já vai baixo e se entranha na paisagem e a música que escolhi para este outono (o regresso já não é com a radio comercial), fazem com que eu viva cada minuto daquele percurso. 
hoje foi mesmo especial. estou a gostar muito deste outono. sei que não tem só a ver com a mudança do percurso físico, com as cores e com a música. tem a ver com muito mais que isso. 
hoje, ao som daquela música e daquelas cores de que eu gosto tanto, fiz a viagem a pensar nas coisas que quero fazer, naquilo que quero mudar na minha vida, na vontade com que ando de escrever, , de desenhar, de dar forma a tantas ideias com que ando na cabeça. 
senti-me feliz.
ainda bem que a vida nos troca as voltas!
j

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

love is the thing...



houve uma pessoa que uma vez me disse que não suportava a ideia de morrer porque de repente ia passar a ser NADA. eu respondi-lhe que esse era um pensamento de extremo egocentrismo. e naquele momento não me identifiquei nada com aquele sentimento. mas, tenho vindo a descobrir, que sofro da mesma síndrome do NADA. 
não receio a morte, até a vejo como um momento de paz extrema, no entanto, caio neste tipo de pensamento quando me foco em sentimentos de desamor e rejeição dos outros por mim. faz-me sentir que sou NADA. a raiz é a mesma, apenas difere na concretização do sentimento. hoje, ao longo do dia, fui sendo ajudada por diferentes pessoas, sem nenhuma aparente ligação entre elas, a desfocar-me do desamor e da rejeição. Não o fizeram conscientemente. apenas me mostraram por gestos simples e por palavras o amor que sentem por mim. e, agora que o dia está a chegar ao fim, percebi (mais uma vez pois, recorrentemente, me esqueço) que tudo é tão relativo. e que eu sou livre de escolher aquilo que quero sentir. e que as pessoas que são importantes na minha vida me dão amor todos os dias. eu é que opto, muitas vezes, por ir para um lugar escuro, criado por mim e alimentado pelo meu ego, onde reinam sentimentos fortemente negativos que me fazem sentir que sou NADA. 
hoje lembrei-me daquela frase que diz "apesar de não o veres porque as nuvens estão a tapá-lo, o sol está sempre lá". o amor também. não me posso esquecer disto. obrigada!
j

terça-feira, 24 de setembro de 2013

"wonderfull things will happen in 2013"



                                                         
está a fazer dois anos que decidi dar um novo rumo à minha vida. não foi uma decisão tomada de ânimo leve. foi longamente ponderada e, em Setembro de 2011, ao chegar de Itália do casamento da minha melhor amiga, aceitei que o meu casamento tinha chegado ao fim. como me é característico, não gosto de espaços cinzentos (há quem ache um defeito e me chame egoísta), e não pensei mais. a decisão estava tomada e havia que procurar, rapidamente, uma nova casa. não tardei a encontrar um apartamento "cosy" e muito ao meu gosto. numa ida ao IKEA, com a preciosíssima ajuda da minha nora Ana (que várias vezes me dissuadiu de desistir e deixar lá o carrinho encalhado a um canto), o apartamento ficou mobilado. Em meados de Outubro, mudei para aquele que hoje se tornou um espaço muito especial. 
e veio o Outono. um Outono estranho que me trouxe algumas dúvidas. "...e vamos tentar de novo, cada um em sua casa...", a velha negação, própria de quando uma relação chega ao fim. porque a ruptura brusca dói mais "e se fizermos isto devagar...quem sabe...
Dezembro foi um mês muito crítico, com muitas lágrimas e dúvidas dos dois lados. quando o amor acaba, fica um grande "buraco" por preencher e, quantas vezes, esse "buraco" nos diz "volta para trás...". 
Janeiro trouxe consigo a ruptura total, a queda das nuvens e muita dor. foi um mês muito longo e muito escuro, assombrado pelo medo. mas, como já referi atrás, não sou de me deixar ficar muito tempo nestes espaços e aos poucos peguei na pouca força que me restava, agarrei-me ao trabalho, ao meu filho Tomás que ainda precisa tanto de mim e, atirei-me para a frente. procurei a ajuda de um terapeuta fantástico, comecei a fazer Shiatsu com outra terapeuta fantástica e inundei, literalmente, os meus amigos mais próximos com telefonemas e lágrimas. e eles estiveram sempre lá para mim. 
em Fevereiro, totalmente de impulso, comprei uma viagem para Paris na Easyjet e fui pedir colo e abraços à minha melhor amiga. nesta cidade acontecem-me sempre as histórias mais incríveis e improváveis. e desta vez não foi excepção. 
e tudo isto foi fazendo com que eu, aos poucos, começasse a olhar para dentro de mim. para lugares que, por medo da dor, eu sempre havia evitado. aprendi (mais uma vez) que não valia a pena fugir dos meus fantasmas porque assim eles continuariam, eternamente, a assombrar-me. e neste processo, para o qual olho agora com muita gratidão, apercebi-me que algures nestes últimos (muitos) anos, o meu lado criativo, que é tão necessário para que me sinta equilibrada, tinha praticamente deixado de existir. recomecei a pintar e a escrever. a construir com as mãos coisas bonitas (confesso que me surpreendi com algumas das coisas que criei) que estavam há muito reprimidas. a minha casa começou a mudar e, finalmente, fi-la minha.
a minha Orquídea, que não floria há quatro anos, cobriu-se de flores. os fantasmas foram-se transformando em situações reais de que eu fui falando e exorcizando. já não são fantasmas. são apenas momentos da minha vida que ajudaram, também, a construir a mulher que sou hoje. não posso dizer que estejam totalmente resolvidos ou se alguma vez estarão. não podemos mudar o passado mas podemos aceitá-lo de modo a encontrar a paz necessária. 
por esta altura comprei um calendário muito bonito onde se pode ler "wonderfull things will happen in 2013". 
e veio Abril e Maio e Junho. e chegou o Verão! com pouco dinheiro e sem grandes perspectivas de férias, decidi que ia ser um verão fantástico. e foi mesmo!
aventurei-me a ir sozinha para concertos e festivais. fiz novos amigos e reencontrei outros. passei uns dias na praia com o meu filho Tomás e o pai e outros no campo com amigos que já não via há anos. fartei-me de dançar e de tomar banhos no mar. passeei sozinha na praia à noite que é coisa que gosto muito de fazer e que não fazia há anos. retomei o hábito de, ao fim da tarde, me sentar numa esplanada e, algumas vezes fiquei a conversar até de manhã.
a minha neta Constança está quase a fazer um ano. no Domingo foi o seu baptizado. foi uma festa muito bonita e muito especial. o Tomás foi escolhido para padrinho e, quem me conhece, sabe o que essa escolha representou para mim. o Tomás e a Constança, sem o saberem, também foram duas forças que me ajudaram a relativizar os momentos mais difíceis deste ano. o Tomás porque ainda precisa muito da mãe, do amor da mãe e de uma mãe saudável e funcional. a Constança porque ainda é tão pequena e foi-me confiada algumas vezes pelo Bernardo e a Ana. o sorriso dela e a confiança dos pais em tudo ajudaram para que eu me pusesse de novo de pé. 
o verão está a acabar. hoje de manhã, saí de casa às 8:30 para trabalhar e cheguei a casa às 20:30. o fim de tarde reservei-o para comprar uns novelos de lã para fazer qualquer coisa para mim. Já apetece o Outono. também o reservei para ir ao hipermercado fazer as compras adiadas desde o fim de semana. encontrei-me lá com dois amigos. a ela conheci-a este Verão e passamos uma noite super divertida a dançar e a falar. a ele conheço-o há anos. Demos um abraço apertado e voltamos a dizer um ao outro "gosto muito de ti". és uma pessoa muito especial para mim". 
saí do Continente e estavam a cair os primeiros pingos de chuva deste Outono. 
meti as compras no carro e deixei-me estar, alguns minutos, a sentir o cheiro da terra molhada, enquanto a chuva me caía ao de leve na cara. 
"wonderfull things are happening in 2013".
obrigada!
p.s
este texto foi pensado durante uns tempos e, por essa razão, quando me sentei a escrevê-lo, as palavras foram-me saindo ao correr da pena. só há algumas horas atrás me apercebi que ele começa em Setembro de 2011, salta para Outubro de 2012, faz o Inverno e o Verão de 2013 para chegar ao momento actual. há uma série de meses que "saltei". Muita coisa aconteceu nesses meses. Foram sobretudo dominados pela dor física de um pós- operatório muito doloroso e muito tempo de fisioterapia. nada podemos fazer quanto à dor física senão esperar que passe. o que não é o caso quando se trata de dor emocional. Talvez por isso me tivessem "escapado". a nossa cabeça prega-nos partidas engraçadas...
volto atrás no tempo para o dia 15 de Outubro de 2012, o dia em que nasceu a minha neta Constança. foi um dos dias mais felizes da minha vida. o tempo restante que me "escapou" lá estará algures no passado. no lugar merece.
j

domingo, 15 de setembro de 2013

somewhere not here.


(fotografia: Parque Natural Baixa Limia - Allariz, Espanha)

"somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously) her first rose

or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands."