correste a dizer que o dia vinha às portas da saudade.
e cobriste de mil cores as varandas da cidade.
a cantar enrouqueceste mil canções feitas à toa.
dançaste todas as ruas embriagadas de Lisboa.
leste os clássicos do tempo como toda a novidade
e a sonhar adormeceste no prazer da liberdade.
inventando mil amigos, esquecendo velhos perigos.
acordaste em sobressalto do teu sonho meio ferido.
dos confins do pesadelo, no limite dos sentidos.
soçobrado na ideia mais ou menos dolorosa
que te negavam medonhos os teus planos cor-de-rosa.
e na fúria dos enganados, na febre dos desvalidos,
na razão dos maltratados entre abraços desabridos.
no delírio prematuro...ainda foste forte e duro...
roda a espiral da história entre as garras da agonia.
diz adeus, ó meu amor, que eu hei-de voltar um dia.
e deixo-te uma palavrinha para te lembrares de mim...
Fausto Bordalo Dias
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