foi numa tarde quente de Agosto que te vi pela primeira vez. como já era hábito, passeava sem rumo por Paris. aventurei-me por ruelas escondidas, refúgios de amores proibidos e de revoluções sonhadas. ao chegar ao Sena, avistei a livraria. encantou-me o nome gravado a dourado na fachada verde e amarela. encantaram-me os livros empilhados em caixotes à porta e a pequena esplanada. entrei à procura de um livro e acabei por me perder pelas estantes e pelas frases escritas nas paredes. pegaste-me na mão e levaste-me pelas escadas acima. pedi-te um livro e tu ofereceste-me um chá e viagens. lá em cima moravam memórias e anémonas bravias. falaste-me do teu avô e de Tânger. daquela janela com vista sobre o Sena, perdemo-nos nas ruas do Cairo procurando por Melissa nos bordéis e nas casas de ópio. naquela tarde quente de Agosto, levados por uma corrente quente do golfo, descobrimos as costas de África. pelos ventos fomos levados para o deserto onde escrevemos palavras intermináveis na areia. ao cair da noite, debaixo das estrelas, ouvi-te dizer que o amor era apenas permitido às mulheres que primeiro se entregassem ao mar e às árvores. naquele dia quente de Agosto, daquela janela com vista sobre o Sena, ouviram-se gargalhadas e tangos, passos de dança e promessas.
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